sábado, 6 de março de 2010

Empréstimo Consignado: remédio ou veneno?

Os antigos nos ensinavam que a diferença entre o remédio e o veneno estava na dose. E nada mais verdadeiro que isso. De uns tempos pra cá a prática da concessão de empréstimo bancário com desconto em folha de pagamento incorporou-se à vida financeira dos servidores públicos. Em um primeiro momento a concessão do crédito é vista com bons olhos pois significa um alívio imediato para quem se sente sufocado por dívidas, por quem se encontra usando o cheque especial e tendo que arcar com juros exorbitantes etc. Para as instituições financeiras é o melhor dos mundos porque o risco é quase nulo, uma vez que o pagamento do empréstimo ocorre por débito na conta do servidor no mesmo momento em que o crédito de seu salário mensal é efetuado.
Mas para o servidor pode ser a garantia de que continuará se endividando cada vez mais e, uma vez no círculo vicioso, aquele em que um empréstimo é contratado para pagar outro, dificilmente conseguirá se livrar de empréstimos nessa modalidade.

Entendo que empréstimos com débito em folha somente beneficiam os servidores se os montantes contratados forem por ele utilizados para abater dívidas anteriores, com repactuação de juros e encargos menores ou, então, para investir no aumento de seu patrimônio, assegurando assim um futuro tranqüilo para suas famílias. O uso desses empréstimos para outros fins, como a aquisição ou consumo de bens não duráveis – eletrodomésticos, informática, vestuário, viagens, etc – é, sobretudo, danoso à saúde financeira dos servidores.

Portanto, há que se ter regras claras visando proteger o salário do trabalhador. A prática de conceder empréstimos em montante tal que a amortização mensal se eleve até a 30% do salário demonstra ser uma perigosa armadilha e é responsável por parte significativa do endividamento dos funcionários. Uma medida oportuníssima, a meu ver, seria a de se limitar tais empréstimos consignados de tal forma a não comprometer mais que 10% dos proventos mensais do servidor.

E para os casos atuais que, bem o sabemos, existem funcionários que ultrapassaram os já elevados 30%? Simples. Que as instituições representativas dos servidores iniciem negociações com os bancos visando diminuir esse percentual para a casa dos 10% através do alongamento do perfil da dívida. E sem qualquer alteração na taxa de juros originalmente contratada.

Medidas simples, mas que levam em conta o bem-estar e a tranqüilidade financeira almejada por 10 entre 10 assalariados.

http://www.agacielmaia.com/

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