
Alguém passou ontem pela casa do vice-governador Iberê Ferreira e escutou o som que saía do "três em um" dele. Ou do Ipod, segundo os mais modernos. Era a música da dupla Victor e Leo: "Que vida boa. Ô, Ô, Ô. Que vida boa. Sapo caiu na lagoa..."Explico tanta alegria.Numa semana, Carlos Eduardo Alves desembarca da Disney dando canelada em todo mundo, irritando o PSB, criticando um pré-acordo para escanteá-lo na eleicão estadual e defendendo-se das críticas à sua gestão.Na outra, Robinson Faria desentende-se com Wilma de Faria no plenário da Assembléia Legislativa. Na frente de todo mundo.Em seguida, Agaciel Maia cai em desgraça no Senado Federal por ter comprado uma mansão e colocado o imóvel no nome do irmão, deputado João Maia, sem avisar à Receita Federal.Num breve espaço de tempo, Iberê Ferreira vê seus adversários de base aliada enfrentando toda a sorte de dificuldades. Sorte? Só se for a de Iberê.A vida anda boa para Iberê. Enquanto Carlos Eduardo, Robinson e João Maia enfrentam problemas sérios, o vice-governador pega a estrada e embrenha-se pelo interior do estado, levando as ações do governo.Iberê vive um bom momento nessa disputa interna da base de Wilma. Mas isso não é garantia de nada. Os ventos mudam e podem levar o processo para outras direções. É bom ficar de olho na biruta da política.A desgraça de João Maia é a mais recente. Ganhou grande repercussão na mídia nacional e causou muito desgaste no plano local.Não se fala outra coisa nas rodas políticas e nos lugares onde as pessoas estão atentas às ações dos políticos.Tem gente que já diz que João Maia está morto para qualquer projeto majoritário em 2010. É cedo para afirmar coisa desse tipo.Mas é certo dizer que arranjaram um símbolo para marcá-lo negativamente: a mansão de Agaciel que virou escândalo em Brasília.É forte. Castelo. Mansão. São imagens que costumam gerar indignação em qualquer campanha eleitoral.Lembram do apartamento em Copacabana atribuído a Henrique Alves na primeira derrota para Wilma em 88? A imagem foi levada ao ar, repetidamente, no horário da TV. Era tratada como escândalo. Trabalhador que paga alguel, ganha salário mínimo, que mal tem o dinheiro para a feirinha, tem nojo de políico que ostenta riqueza. Castelo, mansão, fazendas, carrões, iates, jatinhos são coisas de um mundo distante para o assalariado.João Maia tem agora de explicar a mansão que comprou em nome do irmão e não declarou ao leão do imposto de renda.A turma que fará a campanha de eventuais adversários de João Maia está vibrando.E não será fácil para João. Já tinha a história do confisco da poupança para aturar. João Maia foi secretário-executivo do Ministério da Economia, na época da Zélia Cardoso, quando o presidente Fernando Collor mandou confiscar a poupança de todo mundo. Foi um Deus nos acuda. A poupança de milhares de pessoas, empresários, gente simples, foi para o beleléu. Foi para o espaço. Teve gente que se matou.Como secretário-executivo do ministério da economia João Maia era um dos responsáveis por aquela política econômica irresponsável.Pois é. Além do confisco, João tem agora a mansão que virou escândalo nacional.Mas João Maia é um homem inteligente. Experiente. Homem que veio de baixo. De família humilde, mas batalhadora. Venceu na vida. Homem do mercado financeiro. Sabe o valor das coisas.E como qualquer pessoa, enfrenta suas dificuldades. João Maia fará um esforço para driblar o azar. Maré de má notícia que faz a alegria dos seus concorrentes ao governo ou ao Senado.Mas é cedo para considerar João Maia carta fora do baralho. Azar, como o desejo, às vezes, dá e passa.
Fonte> Blog do Diógenes
Nenhum comentário:
Postar um comentário