quinta-feira, 5 de março de 2009

Cunha Lima diz em carta que foi vítima de injustiça e espera voltar ao governo

O ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB), que teve o mandato cassado no início de fevereiro pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), divulgou carta nesta quinta-feira para lamentar o seu afastamento do cargo. Recluso desde que o senador José Maranhão (PMDB) assumiu o governo do Estado, Cunha Lima disse ser vítima de uma "injustiça" com a promessa de voltar ao cargo se tiver o apoio do povo paraibano em eleições futuras.
"Nada, nem ninguém, calará a certeza da injustiça de que fui vítima. Arrancaram-me o mandato, mas, enquanto eu tiver vida e voz, gritarei o que a Paraíba isenta reconhece: não cometi nenhum dos ilícitos de que me acusaram para tirar-me o mandato legítimo conquistado limpamente", afirma.
O ex-governador disse que decidiu sair do "recolhimento do silêncio, da oração e da reflexão" junto à sua família para manifestar sua frustração com a decisão da Justiça Eleitoral. "Agradeço, comovido, a corrente de orações e manifestações, o apoio e a solidariedade silenciosa dos paraibanos, muitos dos quais nem nos deram o seu voto, mas discordam do processo utilizado para o nosso afastamento. [...] A injustiça não nos abaterá. Tiraram-me o mandato, mas ninguém me usurpará a honra. Mais cedo ou mais tarde, a verdade triunfará."
Numa clara sinalização que pode disputar o governo do Estado em 2010, Cunha Lima diz na carta que "outras eleições virão". "Não importa que hoje não tenham feito justiça. Um dia, a história o fará. Um dia, a Paraíba novamente nos julgará. E esse julgamento, sim, será definitivo. Como diz o meu pai, o poeta Ronaldo Cunha Lima, é bem melhor conter a revolta, contar os dias e esperar a volta", diz o ex-governador.
A carta de Cunha Lima foi lida no plenário do Senado nesta quinta-feira pelo senador Cícero Lucena (PSDB-PB). Aliado do ex-governador, Lucena disse que a carta "expressa o sentimento do [ex-] governador no alto do seu equilíbrio, da sua sensatez, da sua responsabilidade e do seu compromisso com a Paraíba e com os paraibanos".
Cassação
Cunha Lima e o vice José Lacerda Neto (DEM) foram cassados sob as acusações de utilizar programas sociais para a distribuição irregular de dinheiro, via cheques, em um processo denominado Caso FAC (Fundação de Ação Comunitária).
Eles recorreram várias vezes ao TSE e também ao STF (Supremo Tribunal Federal) por discordarem da decisão. Cunha Lima foi a Brasília e fez campanha pela manutenção de seu mandato e de Lacerda Neto, mas não conseguiu sensibilizar os ministros do TSE. Segundo o tucano, havia manobras para atingi-lo politicamente.
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

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