sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mar está engolindo tudo na orla de Barra de Maxaranguape











As chuvas que caíram no litoral durante o carnaval deixaram ainda mais visível a destruição causada pelo avanço da maré na praia de Barra de Maxaranguape. A maioria das casas à beira-mar foi abandonada pelos moradores e quase todas as que restam estão à venda. As carradas de pedras distribuídas na frente dos imóveis não dão mais conta. O mar está engolindo tudo na orla. A água da chuva unida à maré alta intensificou a força das ondas contra o concreto. ``De um ano para cá tem aumentando muito'', relata o pescador João Batista de Souza Alves da Cruz, 43 anos, morador de Barra há 23 anos. ``O mar entrou com força nas casas. Vários alpendres caíram. Quem pode, paga R$ 260 por um caminhão de pedras. Mesmo assim, não sustenta muito tempo'', conta. O pescador comenta que nos últimos dois anos aumentou significativamente o número de proprietários querendo vender casas. ``Muitos já venderam e tem vários outros que querem vender e não conseguem'', diz. Ele próprio, que tem uma casa fora da orla, do outro ladoi da rua, também já colocou a placa de venda. ``Vai chegar aqui tambeém. Ninguém sabe se daqui a um ano ou dois.'' Uma das poucas moradoras que não pensa em vender a casa de praia é a pensionista Eduvirgens Vieira Liberato Gomes, 76 anos. Há 40 anos, ela foi uma das primeiras a construir casa à beira-mar em Barra de Maxaranguape. ``Quando eu comprei a praia tinha 30 metros até chegar no mar. Hoje, o mar bate nas casas'', lembra ela, descrevendo o avanço da maré. Para permanecer lá, porém, Eduvirgens Gomes paga um preço caro. ``Já perdi as contas de quanto eu já gastei para colocar pedras na frente da casa'', diz. ``Faz 15 dias que eu coloquei uma carrada e praticamente já foi embora com as chuvas e a maré do carnaval'', acrescentou. Ela lembra que em 2007 a maré destruiu o terraço e gerou um prejuízo de mais de R$ 13 mil. O aposentado Francisco Vieira Liberato, 70 anos, irmão de Eduvirgens Gomes, é o proprietário da casa vizinha, a qual utiliza somente no veraneio. Ele também não pensa em vender o imóvel, mas prefere ocupá-lo somente no verão. ``Eu entrego a Deus'', diz ele, consciente que um dia a maré tomará conta de todas as casas construídas à beira-mar daquela praia.




DN Online

Nenhum comentário:

Postar um comentário